Vacina da China não, porra! Eu que mando. Taoquei?

         
         Os bastidores do Palácio do Planalto é sempre uma caixinha de surpresa e, nesses últimos tempos, basta dar tempo, não precisa ser longo, ao tempo para as revelações virem à tona. Uma façanha surreal foi reportada na edição 167 da revista Piauí, intitulada "Vou Intervir!.. O dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo". A brilhante matéria de Monica Gugliano denuncia o clima estarrecedor que envolveu o gabinete presidencial no dia 22 de maio, um dia após o Ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, enviar consulta à Procuradoria Geral da República sobre a necessidade ou não de apreender os celulares do presidente Jair Bolsonaro e do filho número 3, vereador Carlos Bolsonaro. Fonte Revista Folha do Piaui.

O clima descrito nesta reportagem e em várias outras que adjetivam o presidente e seu clã fez aquela reunião do Planalto parecer o enredo de uma telenovela satírica do gênero capa espada, exibida no ano de 1989, chamada "Que Rei Sou Eu?". A obra que ironiza a situação política nacional daquela década foi exibida por uma emissora de TV brasileira. Nela, o trono fictício de Avilan é assumido pela histérica e despreparada rainha Valentine (Tereza Rachel) logo após a morte do rei Petrus II (Gianfrancesco Guarnieri) no ano 1786, três anos antes da Revolução Francesa. Fonte Wikipédia.
Por enquanto, pouca a haver com a ideia da crônica até quando que então se descobre que, antes de morrer, em seu testamento, o rei revela, como herdeiro do trono, um filho bastardo que teve com uma camponesa (Aracy Balabanian). Daí pra frente, a história começa a se parecer com a realidade do Brasil de hoje e, principalmente, com o que Bolsonaro se perguntava, um pouco antes de entrar naquela reunião, e esbravejar: “vou intervir!”. 

O Fato é que, em Avilan, os conselheiros reais, que tinham pleno controle do reino e ascensão sobre a louca rainha, sabendo da existência do filho real bastardo, decidiram coroar um indigente como rei para manterem o comando sobre o governo daquela nação. Lembrando que bastou um conselheiro, general Augusto Heleno, abrandar..."não é hora par isso"... o presidente sossegou o facho. 
  
Nas eleições de 2018, a elite econômica brasileira, os políticos de centro e de direita, com apoio do Judiciário e do Ministério Público, já haviam determinado qual seria seu candidato à Presidência da República. Todos os indicadores apontavam para Geraldo Alckmin (PSDB). Para garantir o resultado eleitoral, a Operação Lava Jato de Moro e Dallagnol, com suporte da imprensa tradicional, manteve uma presepada hollywoodiana para impugnar os direitos eleitorais do ex presidente Lula. 
    
Valendo-se do velho ditado “o apressado come cru”, faltava o papel tático da mídia empresarial, em especial dos veículos de televisão aberta  de lançar o bode expiatório que sai à frente para receber as pancadas. Fez-se valer, como na novela, a figura do indigente (nesse caso, o baixo clero, extremista e louco Jair Bolsonaro). Dentro da estratégia traçadas por esses setores conservadores, Bolsonaro seria saturado logo início das campanhas propriamente ditas. Era parte do cronograma… em determinado momento, essa mídia que ascendeu Bolsonaro o derrubaria. Veio a duvidosa facada e o Indigente virou rei, ou melhor, virou Mito e fugiu ao controle dos seus criadores. 

Novamente se valendo de ditado popular (melhor um pássaro na mão do que dois voando), a grande mídia, o agronegócio, os banqueiros, segmentos religiosos fundamentalistas, partidos de centro, de direita e extremistas, Ministério Público, Judiciário e outros segmentos conservadores brasileiros chocaram o ovo de serpente achando que era de tucano… Ao invés de Alckmin, que seria o herdeiro real, veio o Bolsonaro.
    
Talvez aí está a grande crise de existência do Bolsonaro e seu clã… Eu sou mesmo o presidente?... Por que todo mundo duvida de mim?... Todos deveriam me obedecer… “Espelho, espelho meu, que rei sou eu?”. Tu es grande, piedoso e majestoso... O brasil é só seu, pai!
    
Na novela de Cassiano Garbos Mendes, Jean Pierre (Edson Celulari), que é um líder revolucionário, ao descobrir que é o filho bastardo do rei Petrus II, passa a lutar pela coroa que lhe pertence. Novamente mais um fantasma a assombrar Bolsonaro, pois se não fosse principalmente pela investida do ex juiz Sérgio Moro e da República de Curitiba, o verdadeiro presidente seria Lula. Os principais institutos de pesquisas eleitorais apontavam a possível vitória do ex presidente já no primeiro turno em 2018. 

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Por Júlio Dimas

Comentários

  1. Ótima comparação entre a novela e o cenário político atual

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    1. O cenário atual é mais comediante do que a novela... O Bolsomínius são todos lunáticos.

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  2. Parece mesmo com a historia da novela. Kkkkkm

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    1. Apesar de não ter assistido à novela, tive boas referências na época.

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  3. Mas eu me lembro muito do Odorico Paraguassu quando vejo essa caricatura política empunhando uma caixa de cloroquina ou montado em um cavalo.

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    1. Obrigado pela leitura. A essa outra novela não assisti. Já ouvi falar.

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  4. Agora, o nome da novela: O Bem Amado, já é uma outra história rsrs

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    1. Kkkkk não assisti à novela O bem amado... Era criança na época e não tinha TV em casa.

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  5. Nossa que legal. Eu adora essa novela. Mas eu odeio esse gabinete do ódio., #haiacondenebolsonaro

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  6. A comparação é perfeita, ótimo artigo. Eles utilizaram um qualquer e criaram um monstro, e agora perderam o controle dele. Não devemos culpar apenas a família Bolsonaro por tudo o que está acontecendo. -Tayná

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    1. Obrigado pelas considerações. Os Bolsonaros não são os únicos culpados da desgraça que se passa no Brasil, concordo com você. O começo dessa tragédia se deu com os resultados das eleições 2014, a não aceitação por parte do Aécio Neves, Luciano Hulk, Fernando Henrique e outros do PSDB, mídia conservadora e elite brasileira.

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